olhamos esta taca
e não sabemos de onde veio.
não sabemos que houve barro húmido
e mãos maculadas desse barro.
(um cofre fechado)
tocamos esta taca,
o ser amado o espfrito inflamado que nele vivia e que dele se libertou.
continuamos sem conhecer o seu corpo.
guardamos nela frutas, águas, jóias...
ela não nos devolve o segredo das mulheres.
(um jarro alto)
a taca brilha no fundo do tempo
e não sabemos nem do vento das areias finas
nem do calor que lhe deu luz.
e um dia, quando tivermos nas mãos os restos do seu corpo,
perceberemos então (tarde demais) o ser amado
João Pinharanda
Lisboa, 4 abril 2015
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