Ensaios em Imobilidade e Movimento Secreto, 2026
Vistas da Instalação, “Ensaios em Imobilidade e Movimento Secreto” - Teresa Segurado Pavão e Rui Sanches, Museu Arpad Szenes Vieira da Silva — PTFotografia: Vasco Célio / Stills cortesia Museu Arpad Szenes Vieira da Silva
Numa parceria inédita e provavelmente irrepetível, Teresa Segurado Pavão (Lisboa, 1957) e Rui Sanches (Lisboa, 1954) conceberam e realizaram um conjunto de esculturas de parede que articulam estruturas em madeira e peças em cerâmica. Estas esculturas são o cruzamento das materialidades, das linguagens e das disciplinas que cada um dos artistas desenvolve nos trabalhos de autoria individual.
Partindo da tradição do género da natureza-morta, em voga na arte ocidental desde os alvores do século XVII, estas esculturas de parede são exercícios formais de escala, de dinâmica espacial, de fluidez formal, mas, sobretudo, de diálogo ou conversa baseados em modos de comunicação silenciosa, gestos de atenção repetidos quotidianamente, rituais de encontro de dois corpos na presença ou na ausência. Altares ou sacrários.
São peças em que a autoria, conquanto reconhecível, se esbate em prol de uma causa maior (ou menor), peças construídas como vasos comunicantes, por contraste e afeição material, num diálogo de luz e sombras, de som e de silêncios.
A mesa, omnipresente em qualquer ensaio de natureza-morta, estabelece, simultaneamente, uma linha (de horizonte) e um plano (de continuidade e de ancoragem) para os objectos e para os corpos que os olham e os desejam.
Fugaz, efémera, transitória, a vida sobre a terra é uma passagem que se cultiva, que se cura, que se molda com as mãos e com o tempo (esse grande escultor).
Nuno Faria, 2026
© 2026 Teresa Segurado Pavão